Já podemos morar em outro planeta?

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O físico Stephen Hawking, pouco tempo antes de sua morte, declarou que os humanos vão precisar colonizar outro planeta em até 100 anos para garantir sua sobrevivência. A declaração faz parte do documentário The Search for a New Earth (A Procura de uma Nova Terra, em português) da BBC. No programa, Hawking, seu ex-aluno Christophe Galfard e a engenheira Danielle George viajam pelo mundo para descobrir como os humanos poderiam viajar, e viver, no espaço.

// Nova Terra à vista?

O telescópio espacial Kepler, lançado em 2009, pela NASA, para buscar exoplanetas em outros sistemas, descobriu o primeiro planeta similar à Terra. O Kepler-186f está em uma zona habitável da sua estrela, isso significa que o planeta está a uma distância de seu sol onde permite que a água se acumule na superfície em estado líquido – possibilitando vida.    

O novo planeta é apenas 10% maior que o nosso e está a 500 anos-luz de nós, na constelação de Cisne. Em razão do tamanho maior, o planeta pode ter uma atmosfera mais densa, portanto, melhor isolamento de temperatura. Seu sistema abriga outros quatro planetas que orbitam a estrela anã vermelha Kepler-186, mais fria e com metade do tamanho e massa do nosso Sol.  

O Kepler-186f demora 130 dias para completar sua órbita e, por ser o quinto planeta do sistema, ele recebe um terço da radiação da estrela. Assim, a iluminação ao meio dia lá é a mesma que o nosso fim de tarde.

Fonte: NASA

// Então é possível vida humana fora da terra?

A descoberta do Kepler-186f é uma evidência de que podem existir planetas do tamanho da Terra com condições propícias para os humanos morarem.

Embora seu tamanho tenha sido identificado, a massa e condições atmosféricas ainda não foram. “Missões futuras vão descobrir os planetas rochosos mais próximos e determinar as composições e condições atmosféricas deles, dando continuidade à busca por mundos como a Terra”, afirma Paul Hertz, Diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa.

Com isso, os cientistas ainda não têm certeza de que o Kepler-186f pode suportar vida. No entanto, os caçadores de planetas buscam encontrar um que seja gêmeo da Terra, do mesmo tamanho e com uma estrela parecida com o nosso Sol. “O Kepler-186f pode ser mais um primo da Terra do que um irmão gêmeo”, afirma Thomas Barclay, pesquisador do Bay Area Environmental Research.

Os quatro planetas restantes do sistema, Kepler-186b, Kepler-186c, Kepler-186d e Kepler-186e, orbitam em torno da estrela a cada quatro, sete, 13 e 22 dias respectivamente. O que os torna muito quentes para serem habitados.

Antes do 186f ser considerado o planeta mais similar ao nosso, o telescópio espacial tinha descoberto o Kepler-438b. Este está a 470 anos-luz de nós, é 12% maior que a Terra  e recebe 40% mais calor de sua estrela anã-vermelha, Kepler-438, do que nós do Sol. E por esse motivo, não é considerado habitável. Isso acontece porque, se a quantidade de luz é maior, a água acumulada em estado líquido pode evaporar – não suportando vida.

Durante o tempo de ativa, o telescópio espacial Kepler já localizou 2.327 exoplanetas e identificou 30 deles como “exoplanetas com tamanho de até duas vezes a Terra que estão em zonas habitáveis”. Porém, como eles são muito maiores que a Terra, é difícil compreender as suas propriedades.

// Seria Marte um planeta habitável?

Depois de anos estudando nosso vizinho, pesquisadores encontraram um lago de 20km de diâmetro sob a calota de gelo do pólo sul do planeta. O resultado é estimulante porque nunca antes foi descoberta água em estado líquido no solo marciano – o que cria possibilidades de sobrevivência além da Terra.

Alguns gigantes como a Nasa e Elon Musk, fundador da SpaceX, já revelaram o desejo e os planos detalhados de colonizar Marte e outras partes do sistema solar, como a Europa – uma das luas de Júpiter.  

A Nasa deseja levar seres humanos a Marte para estabelecer colônias até 2030. Com o objetivo de trabalhar e viver em solo marciano, de maneira sustentável por um longo período de tempo, sem voltar para a Terra.

Musk, por sua vez, pretende construir uma cidade autossuficiente no planeta vermelho, e ele já está criando uma tecnologia espacial reutilizável, com seus foguetes que retornam automaticamente à Terra. Para viabilizar os custos, Musk também propõe fabricar o combustível em Marte e estabelecer reabastecedores interplanetários em corpos como Encélado e Titã (luas em Saturno) ou a Europa, para explorar ainda mais o espaço.

Por hora vemos muitos planos ambiciosos e plausíveis, porém, teremos que esperar alguns anos para obter a tecnologia espacial e o conhecimento dos planetas pretendentes a fim de partir rumo a uma nova Terra.

E aí,  você acredita que um dia poderemos morar em outro planeta?