T-rex chorando que simboliza a tragédia do incêndio no Museu Nacional

200 anos de história: o que perdemos no incêndio do Museu Nacional?

Tempo de leitura
4
m

O incêndio que destruiu o Museu Nacional/UFRJ está sendo considerado como uma das maiores tragédias contra a cultura brasileira. O maior museu de história natural do Brasil, era também a instituição científica mais antiga do país!

Inaugurado em 6 de junho de 1818, o Museu se instalava no Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e desde 1946 era vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O local tinha um acervo de 20 milhões de itens antigos que, infelizmente, foram quase todos destruídos.

Confira alguns itens que se perderam e outros que sobreviveram ao desastre:

// O meteorito de Bendegó

O maior meteorito que sobreviveu ao incêndio do Museu Nacional

Descoberto em 1784 no sertão da Bahia, ele é o maior já encontrado no país, pesando 5,36 toneladas e medindo aproximadamente 2,20 metros por 1,45 metro e 58 centímetros.

Sua composição é de ferro e 6,5% níquel com outros elementos pequenos. Ele é tão pesado que só conseguiram levá-lo ao Museu em 1888, sob o governo de Dom Pedro II.

Os outros meteoritos do prédio principal sobreviveram, segundo a vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo.

// Espécimes fossilizados

Esqueleto do dinossauro Santanaraptor do Museu Nacional

Um dos maiores acervos da América Latina, o Museu Nacional contava com fósseis encontrados no Brasil em diversos períodos geológicos. Cerca de 10 mil pedaços de seres vivos fossilizados faziam parte do acervo paleontológico do Museu.

A coleção de pterossauros era considerada uma das mais completas do planeta, onde muitos esqueletos eram os únicos exemplares das espécies que existiram – denominados holótipos. Era o caso do Santanaraptor – dinossauro da foto acima é uma réplica, o original estava exposto no Museu – encontrado pelo setor de paleontologia de vertebrados do Museu Nacional.

Além dele, existia também fósseis de tigre-dente-de-sabre, preguiças gigantes, peixes do período Cretáceo encontrados no Nordeste do Brasil, tartarugas de São Paulo e inúmeros animais fantásticos.

O zoólogo Paulo Andreas Buckup, que cuidava do acervo de peixes, foi um dos pesquisadores que entrou no incêndio com os bombeiros para resgatar alguns itens. Segundo ele, outros prédios além do principal não foram atingidos pelas chamas, assim, poucas coleções de vertebrados podem ter sobrevivido, porém ainda não se tem a confirmação.

// Registros de povos indígenas e múmias

Cabeça de uma rara múmia amazônica no Museu Nacional

Foram perdidos documentos, gravações, fotos e o mapa étnico-histórico-linguístico original com a localização de todas as etnias do Brasil, o único registro que tínhamos, produzido em 1945. Além disso, registros do século 16 sobre os indígenas brasileiros.

O Museu era um dos únicos no mundo a ter múmias intactas do Egito Antigo, que foi adquirida em 1826 por Dom Pedro II e fazia parte da coleção de sarcófagos dele. O sarcófago nunca foi aberto por causa de um pedido do imperador.

A coleção abrigava também um esqueleto de gato mumificado (o animal era uma figura divina no Egito Antigo) e uma cantora que atuava no templo do deus Amon, suas cordas vocais foram “preservadas” com tecido para conseguir cantar no estado pós-morte.

O acervo além das múmias egípcias, contava com as raras múmias amazônicas, mineiras, andinas e romanas. Como na Amazônia é muito difícil para se preservar qualquer coisa – calor e umidade absurda – as cabeças eram mumificadas. Os cabelos eram mantidos e o crânio era extraído de maneira para manter o máximo da fisionomia do falecido.

// Luzia

Modelo real de como seria o rosto de Luzia, exposto no Museu Nacional

Talvez a vítima mais preciosa do incêndio, o crânio de Luzia, tenha sobrevivido – no momento que estamos escrevendo essa matéria ainda não há confirmações.

Os restos de Luzia tem uma idade de 12,5 mil a 13 mil anos e foi encontrado em 1974 em Lagoa Santa, Minas Gerais. Apelidada como “A Primeira Brasileira”, ela é considerada o mais antigo habitante do continente americano.

Ela foi importante para os pesquisadores entenderem que antes dos antepassados dos índios atuais, um outro povo chegou na América do Sul. Os “paleoíndios”, como são conhecidos, tem os crânios muito parecidos com os aborígenes australianos, os habitantes da Melanésia e até mesmo com os africanos modernos. Resumindo, seriam negros.

Em contrapartida, os indígenas atuais são mais próximos aos povos do nordeste da Ásia. Portanto, o povo de Luzia teria saído da África, compartilhado ancestrais com os aborígenes australianos, migrado para o norte da Ásia e chegado pelo continente americano pelo Estreito de Bering.

Praticamente tudo que estava no prédio principal – exceto os meteoritos – foram destruídos, cerca de 90% do acervo. A vice-diretora do Museu Nacional afirmou que sobreviveram somente o meteorito Bendegó, outros minerais, parte da coleção de zoologia, a biblioteca central, o setor herbário e o departamento de zoologia de vertebrados.

O Museu Nacional não é o único no Brasil. Na verdade, há 1081 museus no país, pelo levantamento do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Tendo como resultado, 32 milhões de visitas no ano de 2017.

E você, conhece qual o mais próximo? Com a ferramenta museusbr, você encontra um mapa de museus e exposições do Brasil. Acesse, descubra e compartilhe as memórias da nossa história.

Tem alguma notícia sobre o incêndio que não falamos? Comente aqui!