Foto de topo de blog da Emmanuelle Richard

The Little Big Developer: o ponto fora da curva da programação

Tempo de leitura
7
m

Hoje é o Dia da Ada Lovelace, a grande mãe da programação. E para comemorar decidimos destacar a inspiração da influência feminina na programação nacional.

Assim como Ada, a jovem Emmanuelle Richard pode vir a se tornar um grande exemplo dentro da programação e inspirar outros jovens e outras mulheres a trilharem o mesmo caminho.

A “Little Big Developer”, Pequena Grande Desenvolvedora em tradução livre, como é chamada, começou a programar com 8 anos! Atualmente está com 16 anos e ano passado entrou para a faculdade de Ciências da Computação.

Ano passado, ela também começou a trabalhar como programadora em uma empresa de desenvolvimento de software em Natal, cidade onde mora.

Em entrevista para nós da Locaweb, ela contou tudo sobre a sua vida de programadora jovem e muito mais. Confira:

// Como tudo começou

Foto da família da Emmanuelle

O pai de Emmanuelle é programador. E tinha o sonho de que suas filhas se apaixonassem pela profissão. Portanto ele matriculou ela aos 8 anos e a irmã mais velha, de 9 anos, em um curso de programação.

As duas eram as únicas mulheres da sala de aula e os homens eram bem mais velhos que elas. As aulas eram difíceis, pois se tratava de código bruto, como PHP e Java.

Além disso, a adolescente achava que as coisas que eram ensinadas não faziam sentido, como por exemplo, um programa para resolver equações de segundo grau. “Eles me mandavam fazer coisas um pouco sem lógica para uma criança”

Porém, a paixão pela programação veio mesmo na Campus Party 2015. Quando ela jogou um game que o objetivo era mostrar a programação feita para cada ação do jogo Angry Birds em tempo real.

“Voltei para Natal decidida a fazer o meu primeiro aplicativo até o fim do ano”.

// O primeiro job a gente nunca esquece…

O primeiro projeto que a Manu fez foi para a feira de ciência de sua escola, a “Jornada”. Ela lembrou que a organização tinha uma dificuldade de direcionar, com eficácia, os pais de alunos para as salas em que seus filhos iriam se apresentar.

A escola fixava cartazes com a programação, distribuía panfletos e disponibilizava uma pessoa na recepção para orientar, mas não é prático e existem alterações de última hora. Por esse motivo, ela decidiu criar o aplicativo Jornada IB, que atualiza as informações em tempo real.

“Com aval da escola, comecei a desenvolver o projeto, sob supervisão do meu pai, que fez questão de não pegar leve comigo. Ele me passou várias dicas e orientações e impôs que o sistema teria várias características, pois já que eu havia decidido embarcar, que fosse com estilo!”, exaltou.
Com o aplicativo pronto, ela recebeu um retorno muito positivo da escola. Quando mostrou o aplicativo para a diretora, ela ficou super empolgada, não acreditava que uma criança da sua escola fosse capaz de fazer isso.

“Ela chamou a supervisora, coordenadora, assessora de marketing, e todo mundo da “cúpula” para mostrar o aplicativo. Eu me senti nas nuvens”, Manu descreve.
O aplicativo foi um sucesso entre as pessoas que participaram do evento, tendo cinco estrelas – o máximo é 5 – e mais de 100 instalações, para um evento de apenas uma tarde. E tudo que ela precisou foi foco, determinação, um computador e internet.

“Quando eu cheguei e vi as pessoas usando o meu aplicativo e o quanto ele foi útil, percebi o quanto é sensacional fazer algo que impacta a vida de outras pessoas”.

// Enfrentando os primeiros desafios

Fotografia da Emmanuelle Richard na Campus Party Recife 2015

O primeiro evento em que Emmanuelle palestrou foi a Campus Party Recife em 2015, simplesmente uma edição do maior acontecimento tecnológico do país. Segundo ela, foi uma de suas maiores experiências, apesar de ter dado um nervoso antes.

“Na minha primeira palestra eu fiquei muito nervosa. Cheguei meio tímida, não sabia se estava pronta ou não, mas me chamaram para o palco e fui! Quando subi no palco vi uma multidão olhando para mim. É bem diferente estar na platéia e estar no palco”, descreve Emmanuelle.

Não é a toa que depois dessa palestra, ela continuou palestrando em grandes eventos, como Flisol, PhP Experience, RubyConf, DevFest Nordeste, Roadsec e muitos outros. Tudo isso com 16 anos!

Manu segue dizendo que quem nunca palestrou deveria tentar um dia. “É a melhor experiência da vida! Você recebe uma energia muito boa e aproveita para passar uma mensagem que pode impactar os outros”.

// O impacto da representatividade feminina

A programadora gosta de dar exemplos em suas palestras de grandes mulheres, porque diz que estamos acostumados a esquecer das nossas ídolas.

A Ada Lovelace, por exemplo, foi a primeira pessoa a programar no mundo e poucas pessoas sabem quem ela é. “Até na minha faculdade não se fala das grandes mulheres que construíram a área”, complementa.

Em quatro anos de faculdade, Manu terá só duas professoras e em sua sala, apenas 3 das 20 pessoas são mulheres – ela e sua irmã, de 17 anos, estudam juntas. Por esse motivo, ela acredita que seja importante mostrar que existem grandes mulheres no mundo da programação e incentivar novas jovens a irem atrás dos seus sonhos.

“Dar esse exemplo é muito difícil por causa da responsabilidade. Mesmo tendo 16 anos sei que o fardo que carrego é muito grande e tem que ser tratado com cuidado, para poder representar bem todas as mulheres dentro do mundo da programação”.

// Maiores problemas da tecnologia

Para ficar mais fácil, deixamos ela escolher mais de uma solução. O primeiro ponto que ela abordou foi sobre retirar a barreira de que a tecnologia é coisa de homem. “Antes das mulheres chegarem nas empresas e faculdades, a sociedade tem que incentivar o interesse para a programação”.

Hoje no Brasil, segundo o Pnad, apenas 15% das matrículas em cursos de tecnologia são feitas por mulheres. E no primeiro ano de faculdade, há desistência de 8 em cada 10 mulheres nesses cursos.

“A indústria tecnológica sempre esteve voltada para homens. Aqui no Nordeste é comum encontrar meninas que nunca mexeram em um computador. Temos que mudar esse pensamento para cada vez mais chegar mulheres nas faculdades de tecnologia”, declara Manu.

A segunda mudança é o incentivo à tecnologia no ensino básico, principalmente em cidades menores e do interior. Emmanuelle e sua família estão envolvidos em projetos, participando e promovendo eventos para cidades pequenas do Nordeste.

“A maioria das palestras que eu faço são em escolas públicas para o público da minha idade. Eles vêem a minha imagem como um exemplo e é importante mostrar para eles que independe da onde você vem ou qual formação você tem, você consegue crescer”.

Futuramente toda empresa irá precisar de um programador. Hoje a demanda de emprego já é grande, porém o número de pessoas qualificadas não. Segundo dados da consultoria Page Personnel, a busca por desenvolvedores mobile cresceu 23% em 2017.

Incentivar os jovens a programar gera inspiração para as gerações futuras!

// O que a inspira na programação

“As possibilidades de aprendizado e a velocidade que tudo está mudando! É muito bom saber que toda hora tem algo novo para aprender e você precisa estar atualizado dentro do mercado de trabalho de desenvolvedores”, responde Manu.

Além do aprendizado, ela também está determinada a deixar um legado. Emmanuelle quer marcar principalmente mulheres e jovens a acreditar em seus sonhos e sempre tirar o melhor possível de cada situação. “Meu papel é instigar as pessoas a buscarem seu sonhos, porque eles são possíveis”, assim, ela finaliza.

Não há dúvidas que a pequena grande desenvolvedora será mais uma inspiração a ser seguida, não é mesmo?

Mulheres programadoras têm sempre algo em comum além de suas histórias reais e inspiradoras: para elas, a programação é ir além dos códigos e quebrar barreiras. Elas desenvolvem sonhos!

“E o importante é que todos nós como sociedade podemos ajudar de alguma forma”, finaliza Emmanuelle.

Foto de perfil da Emmanuelle Richard

E você, se interessa por programação? Então confira essa lista de filmes de mulheres programadoras que fizemos especialmente para você se inspirar! #GirlPower

Aproveite também para fazer o quiz e saber qual programador da história você é!